terça-feira, 24 de junho de 2014

Nós, Contadores, e a salvação das empresas brasileiras

% dos ex-proprietários das empresas que encerraram as atividades disseram que a salvação poderia ter sido um empréstimo bancário. Para 18% deles, uma consultoria empresária impediria o naufrágio.

O mercado dispõe de excelentes contadores capazes de assessorar estes empresários, mas estes, infelizmente, contratam o profissional mais barato, acreditando assim reduzir as despesas e crescer mais rapidamente.

O governo deveria criar uma ferramenta para remunerar o contador que auxilia o empresário em sua gestão, pois certamente a nação ganhará muito mais do que simplesmente deixar de recolher tributos por quatro anos.

Esta orientação poderá contribuir com a veracidade das estatísticas. Os contadores, por sua vez, investirão sua experiência para ajudar o Brasil e ainda poderão fidelizar os clientes.
Texto confeccionado por: Gilmar Duarte da Silva

Fonte: Site Contábil

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Começa a chegar o dinheiro do Imposto de Renda

A Receita Federal liberou ontem o pagamento do primeiro lote do Imposto de Renda Pessoa Física de 2014, além de lotes residuais de 2008 a 2013. Ao todo, foram depositados nascontas bancárias dos contribuintes R$ 2 bilhões. As restituições terão correção de 1,87%, equivalente à variação da taxa Selic – juros básicos da economia – entre maio e junho. O Estado de Minas ouviu especialistas em finanças para orientar os leitores sobre o que fazer com esse dinheiro extra. Todos foram unânimes em afirmar que a prioridade é pagar ou renegociar dívidas, principalmente as mais caras, como as feitas no cartão de crédito e no cheque especial. Aos que estão com as contas no azul, a recomendação é fugir da caderneta de poupança e aplicar o dinheiro em Títulos do Tesouro, CDBs ou Letras de Câmbio do Agronegócio (LCA) e Letras de Crédito Imobiliário (LCI).

Para Samy Dana, professor de finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV), se o contribuinte que recebeu sua devolução de IR não tem dívidas, é hora de considerar a possibilidade de aplicar o dinheiro, começando pelos investimentos de menor risco. De acordo com ele, se a opção for os CDBs oferecidos pelos bancos, é preciso ter e mente que os rendimentos passam a valer a pena quando as instituições financeiras oferecem taxas acima de 92% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI). O problema é que a taxa de retorno oferecida varia muito, e, em geral, de acordo com o volume de dinheiro que o contribuinte tem para investir – ou o que já tem no banco. Investimentos em CDB podem pagar de 70% a 115% do CDI, dependendo do volume e da negociação feita pelo cliente.

Outra boa opção está nos títulos do Tesouro Direto. De acordo com Samy Dana, para quem pensa no longo prazo, uma boa saída é aplicar o dinheiro nas Notas do tesouro Nacional Série B (NTN-b), um título pós-fixado vinculado à variação da inflação. “Hoje esse papel paga um rendimento real de quase 6% a mais do que a inflação. Isso garante o poder de compra do investidor no futuro. Apesar de ser o título que possui o maior prazo para aplicação – atualmente conta com investimentos até 2045 –, seu rendimento é recebido pelo investidor ao longo do período contratado, por meio de cupons semestrais de juros, e na data de vencimento do título, no resgate do valor de face (valor investido somado à rentabilidade) e pagamento do último cupom de juros.

Arnaldo Curvello, diretor de recursos da Ativa Corretora, também acredita que os investidores devem fugir dos riscos neste momento. “Os títulos de renda fixa são a melhor alternativa hoje. Além disso, se o investidor puder, poderá buscar investimentos que sejam livres de Imposto de Renda, como as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) ou as Letras de Crédito Imobiliário (LCI). Nesse caso, como ocorre na caderneta de poupança, os investidores não pagam impostos e estão protegidos em até R$ 250 mil pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). “É possível conseguir uma rentabilidade muito próxima de 100% do CDI, o que soma 10,8% ao ano. Em termos de renda fixa, essa é a melhor opção”, afirma Curvello.

Aplicar ou não o dinheiro da restituição, porém, é uma decisão que deve partir da necessidade de cada um. O bancário aposentado do Bando do Brasil Ernando Lopes, de 84 anos, por exemplo, decidiu dar outra destinação ao dinheiro que lhe será devolvido pelo Leão. “Vou receber pouca coisa e pretendo comprar um notebook. Tenho cinco netos e eles tomaram conta do meu computador de mesa. São todos meninos e eles ficam agarrados no meu PC. O restante vou gastar com algumas coisas supérfluas”, planeja.

De olho nas taxas

O contribuinte que pretende fazer render o dinheiro da restituição do Imposto de Renda precisa ter disposição para pesquisar as taxas de rendimentos oferecidas pelos bancos e as taxas de administração cobradas por eles, o que pode fazer toda diferença ao fim de um ano de aplicação financeira. Para Júlio Hegedus Neto, analista de investimento e economista da Lopes Filhos Consultores e Investimentos, o mercado hoje tem forte demanda pelas LCAs e pelas LCIs, mas é preciso observar as melhores cotações, as taxas de administração cobradas pelos bancos sobre os investimentos e a incidência de Imposto de Renda sobre eles.

“É preciso observar se a rentabilidade está num patamar confortável acima da inflação, o que significa uma taxa de pelos menos 5% acima do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)”, orienta Neto. De acordo com ele, há uma série de opções para a aplicação em renda fixa, mas quanto mais agressivo e rentável o fundo, maior é a exigência para a aplicação mínima. “Se você vai colocar seu dinheiro num fundo que cobra uma taxa de 0,3% ou 0,4% ao ano, com certeza terá que começar com um volume de aplicação muito alto”, observa.

No caso do Tesouro Direto, é possível investir sem pagar taxa de administração ou corretagem. No próprio site do Tesouro Direto existem informações das corretoras que estão cobrando taxa zero e isso pode mudar a cada dia. Segundo Samy Dana, quem quiser um investimento de longo prazo no tesouro, como as NTN-b’s, por exemplo, deverá levar em conta que uma indexação à inflação é muito importante. “Nunca sabemos como a inflação vai se comportar no futuro”, explica Dana.

No curto prazo, ele recomenda as Letras Financeiras do Tesouto (LFT), indexadas à taxa básica de juros da economia (Selic) . “Como estamos com a Selic em alta, o investidor não terá problemas, mas mesmo se ela baixar os rendimentos são muito maiores do que os da poupança (que paga hoje 0,5% ao mês, mais taxa referencial, o que soma hoje 6,80% ao ano)”, diz Samy Dana. (ZF)

Texto confeccionado por: Zulmira Furbino

Fonte: Site Contábil

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Novos rumos da contabilidade no Brasil

De acordo com números do Sebrae, no Brasil existem 6,3 milhões de empresas. Mas o que espanta é saber que, desse total, 99% são micro e pequenas empresas (PMEs) e os pequenos negócios, tanto formais como informais, respondem por mais de dois terços das ocupações do setor privado.

E a tendência é o número crescer cada vez mais, uma vez que o brasileiro tem uma veia empreendedora muito forte. Porém, não basta empreender. É preciso estruturar uma empresa de forma organizada, com metas, estratégias e, claro, um canal de fornecedores de confiança. Afinal, o empresário não conseguirá fazer tudo sozinho e, geralmente, no início, ele ainda não tem a real noção do que é ser gestor do negócio.

Um dos serviços mais fundamentais para o empreendedor é a contabilidade, que hoje tem um papel muito mais amplo e estratégico do que há alguns anos. Em primeiro lugar, o contador deixou de ter aquela imagem do “guarda livros”, que faz diversos cálculos e fica em uma sala empoeirada, repleta de papéis, documentos e máquinas de calcular.

No mercado atual, não existe mais espaço para amadores e as coisas evoluíram muito. Os escritórios contábeis passaram, dessa forma, do perfil de “mal necessário” para a posição de “parceiro estratégico”.

Atualmente precisamos estar muito próximos das operações das empresas e participar ativamente do que acontece com elas, facilitando a tomada de decisões, principalmente as que impactam no caixa. Afinal, ninguém quer perder dinheiro.

Além disso, com a mudança da forma do envio das informações para o governo federal, que acontece de forma on-line, a velha mania dos empresários de acharem que tudo tem um jeito, ficou para trás. Quem não acompanhar o mercado e entender a importância da contabilidade e do parceiro nessa área, está fadado a não ter sucesso.

No entanto, é importante que as empresas procurem parceiros confiáveis, que tenham algumas características essenciais: agilidade, cultura e pró-atividade para conseguir acompanhar as constantes mudanças da legislação. Além disso, precisa ser comunicativo para interagir com seus clientes e, assim, dirimir suas dúvidas e elucidar um mundo novo que a empresa ou o empreendedor está iniciando.

Outro fator fundamental é procurar parceiros que estejam conectados com o mundo tecnológico. Hoje, tudo é on-line e tem uma agilidade incrível. Claro que os papéis ainda existem, mas o contador precisa ter uma rede de informática compatível para suportar envios dos dados para órgãos públicos, bem como softwares de gestão contábil e fiscal, que devem ser atualizados constantemente para cumprir o determinado pelos governantes, e hardware atualizados para interagir com os sistemas.


Com um parceiro dentro desse perfil, o empreendedor pode focar em seu negócio e manter sua empresa funcionando perfeitamente e dentro do dinamismo das legislações brasileiras.

Fonte: Site Contábil

terça-feira, 10 de junho de 2014

IR 2014: Receita deve liberar amanhã consulta ao primeiro lote de restituições

Pagamento será feito no dia 16 de junho, segundo programação do Fisco

A Receita Federal prevê abrir nesta quarta-feira (11) a consulta ao primeiro lote de restituições do Imposto de Renda 2014 (ano calendário 2013). Segundo o calendário do Fisco, o montante será pago no dia 16 de junho.

A consulta costuma ser liberada aos contribuintes uma semana antes do depósito de cada lote de restituição. O último – sétimo – será quitado apenas no dia 15 de dezembro. A Receita usa a taxa básica de juros, a Selic, para corrigir o valor.
Quem precisa de dinheiro, não pode esperar pela Receita e teme ficar nos lotes finais pode procurar um banco para obter uma linha de crédito que antecipa a restituição. É possível antecipar até 100% do valor a receber.
A insitutição financeira com a taxa de juros mais baixa para este tipo de empréstimo é o Banco do Brasil – a partir de 1,69% ao mês. No HSBC, os juros mensais chegam a 3,49%. Compare as taxas nos principais bancos:
BANCORESTITUIÇÃOLIMITE DE EMPRÉSTIMOJUROS MENSAIS
Banco do BrasilAté 100%Até R$ 20 milA partir de 1,69%
SantanderAté 100%De R$ 100 a R$ 10 milA partir de 2,20%
HSBCAté 100%De R$ 300 a R$ 30 milDe 1,79% a 3,49%
Itaú UnibancoAté 100%De R$ 200 a R$ 5 milA partir de 2,34%
BradescoAté 100% (conta salário); até 80% (demais clientes)Até R$ 20 milA partir de 2,27%
CaixaLimite de R$ 610,00 até R$ 20 milAté R$ 20 mil para não clientes; até R$ 30 mil para conta salárioDe 1,99% a 2,09%
* Valores informados ao IG em maio de 2014
Acompanhe o calendário de pagamentos das restituições do IR 2014:
1° lote: 16 de junho de 2014

2° lote: 15 de julho de 2014

3° lote: 15 de agosto de 2014

4° lote: 15 de setembro de 2014

5° lote: 15 de outubro de 2014

6° lote: 17 de novembro de 2014

7° lote: 15 de dezembro de 2014

Fonte: Economia IG

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Consultas ao 1º lote do IR 2014 devem sair até quarta-feira, diz Fisco



A Secretaria da Receita Federal deve abrir até quarta-feira (11) as consultas ao primeiro lote de restituições do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) de 2014, além de lotes residuais de anos anteriores (relativas a pessoas que caíram na malha fina), informou o supervisor nacional do IR do órgão, Joaquim Adir.

"Provavelmente sai até quarta-feira [a consulta]. A Receita está concluindo o lote. Em breve, sai a consulta", informou Adir ao G1 nesta segunda-feira (9).

Quando abertas, as consultas poderão ser feitas no site da Receita, em: http://www.receita.fazenda.gov.br/Aplicacoes/Atrjo/ConsRest/Atual.app/index.asp

Também podem ser feitas pelo telefone 146 (opção 3) ou via aplicativo para dispositivos móveis (smartphones e tablets).

Os valores das restituições do primeiro lote do IR 2014 serão pagos em 16 de junho. Assim como em anos anteriores, os idosos com  mais de 60 anos têm prioridade no recebimento dos valores, e também contribuintes com deficiência física ou mental ou com moléstia grave.

Em seguida, o Fisco paga os contribuintes pela ordem de entrega da declaração do Imposto de Renda – desde que o documento tenha sido enviado sem erros ou omissões. Geralmente, são sete lotes do IR em todos os anos, entre junho e dezembro. Em 2014, o Fisco recebeu 26,8 milhões de declarações do Imposto de Renda até 30 de abril, o prazo legal.

Contribuinte pode saber se caiu na malha fina

A Receita Federal lembra que os contribuintes que entregaram o IR 2014, ano-base 2013, e caíram na malha fina já podem corrigir eventuais pendências ou inconsistências em sua declaração.

Para conferir a situação da declaração e resolver possíveis problemas, os contribuintes devem entrar no site da Receita Federal na internet e buscar pelo e-CAC (Centro Virtual de Atendimento) do órgão. O sistema exige o uso de um código de acesso gerado na própria página da Receita, ou um certificado digital emitido por autoridade habilitada. Veja o passo a passo do extrato do IR.

O acesso ao extrato também permite conferir se as quotas do IR estão sendo quitadas corretamente, além de identificar e parcelar eventuais débitos em atraso, entre outros serviços.

Caso as declarações tenham problemas, elas entram na malha fina do órgão, ou seja, ficam retidas, e não aparecem nos lotes de restituição até que tudo seja resolvido.

Veja o calendário de pagamentos das restituições do IR 2014:

- 1° lote, em 16 de junho de 2014
- 2° lote, em 15 de julho de 2014
- 3° lote, em 15 de agosto de 2014
- 4° lote, em 15 de setembro de 2014
- 5° lote, em 15 de outubro de 2014
- 6° lote, em 17 de novembro de 2014
- 7° lote, em 15 de dezembro de 2014

Texto confeccionado por: Alexandro Martello

Fonte: Site Contábil

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Cronograma tira o eSocial do papel

Agora é oficial. Saiu do papel o cronograma do eSocial, sistema que reunirá informações trabalhistas, fiscais e previdenciárias. Circular da Caixa Econômica Federal define o lay-out dos arquivos que compõem a nova sistemática, estabelece prazos para os testes a serem realizados antes do início da obrigatoriedade e prevê o fim da exigência de envio da Guia de Recolhimento do FGTS.

Pela circular, a transmissão dos eventos trabalhistas relacionados ao FGTS, para as grandes e médias empresas – faturamento anual superior a R$ 3,6 milhões em 2014 – deverá ocorrer seis meses contados a partir da disponibilização do ambiente de testes do sistema. Na prática, o envio das informações será obrigatório a partir do segundo semestre de 2015.
“Embora não seja o instrumento jurídico ideal para tratar do sistema, a circular da Caixa põe fim a uma contradição normativa entre cronogramas publicados no Diário Oficial da União e apresentados por autoridades nos diversos eventos realizados para tratar do assunto”, afirma o professor Roberto Dias Duarte, sócio da NTW Franchising e presidente do conselho de administração da empresa.

De acordo com ele, a publicação da circular sinaliza ao mercado a oficialização do cronograma. “Como o projeto envolve vários órgãos do governo, o ideal seria a publicação de uma portaria interministerial, o que ainda deve ocorrer, confirmando o mesmo cronograma”, explica.

Na opinião de Duarte, boa notícia para os empresários é a eliminação de obrigações acessórias quando o sistema começar a operar. O eSocial substituirá a Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social (GFIP), acabando, por consequência, com a obrigatoriedade de enviar o Sistema Empresa de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (Sefip) já a partir da transmissão dos primeiros eventos trabalhistas.

O prazo para o início de operação do eSocial começa a valer após seis meses de testes no sistema. Os testes começam a ser realizados seis meses a partir da publicação do lay-out definitivo, prometido para o dia 30 de junho. As empresas com faturamento anual superior a R$ 3,6 milhões serão as primeiras a enviar dados trabalhistas ao sistema. O prazo para as demais empresas ainda está em discussão. No futuro, o eSocial será obrigatório para todas as empresas do País, incluindo os Microempreendedores Individuais (MEIs).

Texto confeccionado por: Silvia Pimentel

Fonte: Site Contábil

quinta-feira, 5 de junho de 2014

A partir de 2015, as empresas deverão informar seus estoques e produção no SPED

A partir de janeiro de 2015, os contribuintes do ICMS deverão prestar informações relacionadas ao controle da produção e dos estoques no SPED Fiscal. Tal obrigação acessória, chamada de Bloco K, compreende informações relacionadas ao consumo específico padronizado, às perdas normais do processo produtivo e a substituição de insumos para todos os produtos fabricados pelo próprio estabelecimento ou por terceiros. A obrigação é válida para todos os contribuintes do ICMS, com exceção das empresas enquadradas no Simples Nacional.

“O Bloco K, aliado às demais informações já prestadas pelo contribuinte por meio de outras obrigações acessórias que também fazem parte do SPED, será uma ferramenta muito importante para fiscalização. Ela conseguirá fechar o ciclo completo de operações da empresa, abrangendo toda a movimentação do estoque desde a aquisição da matéria-prima até a elaboração do produto final”, explica Fábio da Silva Oliveira, Supervisor da De Biasi Auditores Independentes.

A abertura para o Fisco do processo produtivo das indústrias acrescenta mais um bloco de informações às obrigações fiscais digitais. Com a inclusão do Bloco K no SPED Fiscal, a Receita terá acesso aos detalhes do processo produtivo e à movimentação completa de cada item no estoque, possibilitando o cruzamento quantitativo dos saldos apurados eletronicamente com os informados pelas empresas em seus inventários. Deverão ser detalhadas as fichas técnicas dos produtos, as perdas ocorridas no processo produtivo, as ordens de produção, os insumos consumidos e a quantidade produzida, dentre outras informações.

Para a Receita Federal, o objetivo desse controle é acabar de vez com a emissão de notas fiscais com informações incorretas, como as subfaturadas ou espelhadas e as meia-notas, entre outras, assim como a manipulação dos estoques. “Eventuais diferenças apuradas com base na movimentação dos estoques informada no Bloco K poderão caracterizar sonegação fiscal. Então é importante estar atento às exigências, bem como aos seus impactos nos processos operacionais, nos controles internos e procedimentos fiscais da empresa. Não basta apenas uma boa solução de tecnologia, em alguns casos será necessário rever a cultura da empresa em relação a alguns aspectos”, esclarece Fábio.

Há estudos em andamento no Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária) - que reúne representantes da Receita Federal e das secretarias das Fazendas dos Estados e do DF - que pretendem adiar parcialmente a entrada em vigor do Bloco K do SPED. O grupo deve definir que o escalonamento da obrigatoriedade da escrituração seja feito em duas fases, de acordo com a conveniência de cada estado. Se for aprovado, parte dos estabelecimentos continua obrigada a informá-lo em janeiro de 2015, o restante somente terá que fazê-lo em 2016.

“Independentemente da data definida, as adequações que devem ser feitas para garantir a entrega dessa obrigação acessória não podem ser deixadas para a última hora. Como ela envolve áreas importantes da empresa será necessário um trabalho conjunto entre profissionais de contabilidade, tecnologia da informação, estoques, custos, entre outros. Trabalhando com uma equipe multidisciplinar a empresa ameniza os riscos de falhas e inconsistências nas informações prestadas”, recomenda o especialista da De Biasi Auditores Independentes.

Fonte: Site Contábil

Empreendedor individual vai receber carnê em casa a partir de terça

Os MEIs (Microempreendedores Individuais) do Estado de São Paulo vão começar a receber em casa, na terça-feira, dia 10, o carnê de pagamento que permite a formalização da atividade. Estão incluídos na contribuição à Previdência Social o ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) e/ou o ISS (Imposto Sobre Serviços). Com a medida, não será mais necessário imprimir o boleto no Portal do Empreendedor (www.portaldoempreendedor.gov.br), exigência apontada por muitos profissionais como percalço para manter suas contas em dia.

Como a incidência dos tributos depende do ramo de atuação do MEI, o valor do carnê não é o mesmo aos contribuintes. Todos pagam R$ 36,20 de INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), o correspondente a 5% do salário-mínimo (R$ 724), mais R$ 1 de ICMS, se for indústria ou comércio, ou mais R$ 5 de ISS, ao ramo de serviços.

A Secretaria da Micro e Pequena Empresa é que vai cuidar da entrega, via Correios, das correspondências, que têm vencimento no dia 20. Entretanto, para recebê-las, é imprescindível que o MEI atualize seu endereço no Portal do Empreendedor.

Conforme explica a consultora jurídica do escritório do Sebrae-SP no Grande ABC, Cíntia Gomes Bertão, a secretaria enviará apenas os carnês que ainda não venceram neste ano, ou seja, de maio (que será pago neste mês) até dezembro, e todos de uma só vez. “Se o MEI tiver pagamentos em atraso, será preciso entrar no Portal do Empreendedor e imprimir os boletos para quitar todas as contribuições em aberto”, orienta.

DANOS - Segundo Cíntia, o maior prejuízo de quem paga o carnê atrasado é previdenciário. “O benefício só é concedido para quem efetua o pagamento em dia”, diz, referindo-se à aposentadoria por idade. Com a alíquota reduzida de contribuição de 5% (para os demais contribuintes são exigidos no mínimo 11%), essa é a única opção do MEI, a não ser que se aposente por invalidez ou aumente a quantia paga ao INSS para ter direito ao benefício por tempo de contribuição.

Para ‘pendurar as chuteiras’ com 60 anos, caso das mulheres, ou 65 anos, dos homens, é exigida carência de 180 contribuições, o mesmo que 15 anos. Porém, ela é contabilizada apenas a partir do primeiro pagamento efetuado até a data estipulada, ou seja, dia 20. Basta um dia de atraso para que a carência perca sua validade.

Os demais benefícios, como licença-maternidade, auxílio-doença e pensão por morte, são disponibilizados enquanto o segurado mantiver o período de graça, que varia de 12 a 36 meses sem pagamento.

Na região, a inadimplência acompanha o percentual nacional, atingindo 60% dos contribuintes. Além dos danos previdenciários, os MEIs que não pagam em dia correm o risco de serem inscritos na dívida ativa do Estado (caso do ICMS) ou do município (ISS), alerta a consultora regional do Sebrae-SP.

Grande ABC possui 46.858 profissionais formalizados

O Grande ABC possui hoje 46.858 MEIs (Microempreendedores Individuais). O montante representa 24,15% do total de informais nas sete cidades, de 194.014, segundo estimativas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O programa começou em julho de 2009.

Podem se formalizar costureiras, cabeleireiras, pipoqueiros, vendedores de cachorro-quente, mecânicos e pequenos comerciantes, entre outros, que faturem até R$ 60 mil por ano e tenham até um empregado que receba o salário-mínimo ou o piso da categoria.

ALERTA - Com o início do envio dos carnês via Correios, o Sebrae-SP adverte para o risco de associações e entidades fantasmas se aproveitarem para enviar boletos falsos. Por isso, divulgou imagens do carnê. No envelope, é importante verificar o brasão do governo federal na frente e observar o remetente Secretaria da Micro e Pequena Empresa no verso. Dentro, haverá a carta de apresentação do Carnê da Cidadania do MEI.
  
Texto confeccionado por: Soraia Abreu Pedrozo

Fonte: Site Contábil

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Contadores à beira de um ataque de nervos

 
Bem remunerados e mais demandados pelas empresas, os contadores têm pela frente o desafiode encarar os altos índices de estresse.

Planilhas, documentos, folhas de pagamentos, guias preenchidas pela internet, prazos apertados para a entrega da documentação, cobranças dos contratantes e tensão ante a constante possibilidade de ter as informações prestadas confrontadas pela Receita Federal. Por trás de tudo isso está o contador, profissional que ocupa as primeiras colocações nos rankings dos segmentos com maior nível de estresse.

Estudo recente da instituição de prevenção e combate ao estresse International Stress Management Association no Brasil (Isma Brasil) aplicado a mil entrevistados de Porto Alegre e São Paulo no ano passado, comprova que o profissional de Finanças – ramo que abrange a Contabilidade – fica atrás apenas dos trabalhadores da Saúde e Indústria no ranking dos mais estressados. Na terceira posição entre os ramos pesquisados, o profissional sofre para traspor desafios como acúmulo de tarefas, instabilidade e falta de autonomia.

Os níveis de estresse entre todos os brasileiros são preocupantes. Pesquisas do Isma Brasil indicam que 70% dos profissionais brasileiros sofrem alguma sequela devido ao alto nível de stress. Desse total, 30% atingiram o nível mais elevado, conhecido como Burn Out - esgotamento mental intenso causado por pressões no ambiente profissional.

O mesmo levantamento do instituto de controle do estresse aponta que o Brasil é o segundo país com o maior nível dessa mistura de frustração, irritação e ansiedade do mundo. Dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) demonstram que doenças causadas por estresse e depressão afastam do trabalho mais de 200 mil pessoas por ano no País.

Tido como um dos males da pós-modernidade, o estresse pode assolar o trabalhador de qualquer área, mas, inegavelmente, aqueles que lidam diretamente com as contas de uma pessoa física ou jurídica e são responsáveis pelos balanços, fechamentos e relatórios tornam-se os mais atingidos. Tudo isso combinado com o aumento das obrigações e a obrigatoriedade de adaptação às novas exigências fiscais e ferramentas tecnológicas agrava ainda mais esse “gatilho” para o aparecimento de outras doenças.

Obstáculos também ajudam a evoluir na profissão

A dor de cabeça nas Ciências Contábeis parece não ter fim. Por outro lado, os profissionais de contabilidade nunca foram tão valorizados, inclusive economicamente. Pesquisa realizada pela empresa de recrutamento especializada Robert Half estima que 58% dos diretores financeiros do Brasil esperam aumento na remuneração dos profissionais de finanças e contabilidade em 2014. Os resultados do estudo, realizado com 2.535 executivos de finanças e contabilidade de 16 nacionalidades, colocam o Brasil como quarto país em que mais se aposta em aumento salarial para esses executivos neste ano, atrás apenas da China (70%), Hong Kong (69%) e Nova Zelândia (60%).

Para o empresário contábil Cláudio Nasajon, da Nasajon Sistemas Contábeis, isso se explica exatamente pelas dificuldades enfrentadas na prática contábil. “Quanto mais difícil é uma tarefa, mais valor têm aqueles que conseguem executá-la bem. No caso da legislação empresarial brasileira, é preciso ser quase um mago para se atingir um nível razoável de proficiência”, adverte.

O contador e perito contábil Márcio Lavies Bonder, do Escritório Lavies Bonder de Porto Alegre, aproveita os obstáculos para evoluir na profissão. Graduado em duas universidades, Bonder não para de se qualificar e diz que só isso garante tranquilidade no dia a dia. O desafio, então, é tirar proveito da grande demanda por profissionais sem colocar em risco a própria saúde. As pressões e demandas estão aumentando, e não há perspectiva de que vão baixar. Pelo menos não num futuro próximo. “É responsabilidade de cada profissional estabelecer seus próprios limites e zelar pela sua qualidade de vida. O dinheiro que eventualmente você pode estar recebendo a mais agora pode ser gasto em hospitalização ou no tratamento de uma doença mais tarde”, salienta a psicóloga Ana Maria Rossi.

É preciso atenção ao surgimento de novas tecnologias

Entre os principais geradores de estresse, segundo levantamento da Isma Brasil, em primeiro lugar está a falta de tempo para realizar um número cada vez maior de tarefas. A sobrecarga de trabalho e o excesso de atividades são apontados por 64% dos entrevistados como o primeiro dos grandes vilões para o bem-estar.

Após, na lista da entidade, está o medo da demissão, tido como grande fonte de ansiedade para 56% das pessoas ouvidas. Em terceiro lugar, vem o excesso de responsabilidade e a falta de autonomia, fator destacado por 47% dos entrevistados e que “assola principalmente os responsáveis pela área financeira e, consequentemente, contábil”, enfatiza a presidente do Isma Brasil e doutora em psicologia clínica, Ana Maria Rossi.

Além desses três fatores diagnosticados em pesquisa, a psicóloga lembra que o desequilíbrio entre a valorização e o esforço empenhado também é um fenômeno a ser levado em conta ao analisarmos os níveis de estresse no País. “Muitos profissionais sentem que estão trabalhando mais do que deveriam por que não são gratificados pela colaboração. E essa gratificação nem precisa ser financeira. Às vezes, um tapinha nas costas é suficiente”, pontua.

O presidente do Conselho Regional de Contabilidade (CRCRS), Antônio Palácios, afirma que há um certo agravamento do estresse cotidiano exatamente pela necessidade de estar em constante adaptação e pelo grande acúmulo de tarefas e responsabilidades nas mesas dos contadores. “Aumentaram as exigências da Receita Federal, que hoje são o principal motivo de atenção da maioria dos nossos profissionais, e as evoluções tecnológicas ocorrem em uma velocidade que a categoria não consegue acompanhar”.

Não é à toa que a rotina tida pela maior parte dos contadores como a mais estressante é o eSocial (Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas). A ferramenta exige adaptação técnica e maior atenção às informações fornecidas devido ao cruzamento completo de todos os dados prestados. Ao mesmo tempo, as dúvidas colocam os setores tributários e fiscais em lugar de destaque no organograma empresarial, no centro da tomada de decisões e do tratamento de informações. Esta dinâmica pode servir de exemplo do protagonismo que vem sendo assumido pelo profissional contábil na dinâmica empresarial e, paralelamente, do peso que recai sobre as suas costas.

O perito contábil Márcio Lavies Bonder, com formação em Ciências Contábeis e Direito, é jovem no ramo (atua há 10 anos) e, talvez por isso mesmo, diz não sentir desgaste ao ter de buscar qualificação e aprender a utilizar as novas tecnologias. O segredo, segundo ele, é não levar o estresse para casa, estudar para não se desesperar ao se deparar com um processo complicado e se organizar para cumprir os prazos apertados. “É claro que quanto mais valorizado, maior é a responsabilidade, mas não é por isso que eu me digo estressado. Mas também sou de uma geração que conheceu a contabilidade com o uso de tecnologias, diferente de quem está há muitos anos na profissão”, admite o contador.

Representante dos profissionais contábeis no Estado, Antônio Palácios informa que, depois do eSocial, o que mais tira o sono da classe é a adoção das Normas Internacionais. Segundo Palácios, o problema agora não são as regras, que já estão bem estabelecidas, mas a falta de preparo das empresas para prestar aos profissionais da contabilidade as informações necessárias para desenvolver o trabalho e elaborar os balanços de acordo com o que as normas exigem.

Veja algumas dicas para prevenir o estresse : http://jcrs.uol.com.br/_img/163542_Untitled-1.jpg

Texto confeccionado por: Roberta Mello

Fonte: Site Contábil

ANIVERSARIANTE DO DIA!!! "JÚNIOR BILL"

Eu peço a Deus que te ilumine, te guarde e te dê mais sabedoria, tenha certeza que tudo dará certo na sua vida! Que ele te abençoe abundantemente e te dê muitas alegrias. Você é meu filho, e muito querido por seus pais! Parabéns, Felicidades! Te amo muito Júnior Bill

Escrito por: Altemir Neri

terça-feira, 3 de junho de 2014

Verificar análise do IR no site da Receita evita dor de cabeça

Depois que passou o prazo pra a entrega da declaração do IR (Imposto de Renda) da pessoa física (foi até 30 de abril), e os contribuintes cumpriram com essa obrigação com o Fisco, muita gente acha que não tem mais com o que se preocupar, bastando esperar o dia de a restituição aparecer na conta. Para especialistas, no entanto, é importante que as pessoas fiquem atentas e consultem periodicamente o cadastro no site da Receita para evitar surpresas desagradáveis e também para corrigir eventuais pendências que o órgão detecta com o cruzamento dos dados. Dessa forma, se evita dores de cabeça futuras.
Segundo o diretor tributário da consultoria Confirp, Wellinton Mota, é comum as pessoas ficarem aguardando sem verificar se está tudo certo no processamento. “Não se atentam que pode ter ocorrido erro de digitação e, por centavos, já dá para cair na malha fina”, diz.
Por isso, é importante que o contribuinte entre no site da Receita e acesse o e-Cac (Centro de Atendimento Virtual ao Contribuinte), para saber se há eventuais pendências. Para ingressar nesse portal, no entanto, será preciso ter um certificado digital ou criar código de acesso, o que exigirá fornecer a data de nascimento e números de CPF e dos recibos das duas últimas declarações válidas (deste ano e de 2013). Se a pessoa não tiver o número de recibo anterior precisará ir até um posto da Receita Federal.

O consultor tributário da IOB, Valdir Amorim, cita ainda que a primeira preocupação, ao entrar no e-Cac, é saber se o documento enviado ao Fisco está em processamento ou já foi analisado. “Se isso ainda não ocorrer, o melhor é esperar mais uns dias, para consultar de novo”, diz. Se tiver sido processada, a pessoa pode tirar o extrato da declaração, que é a confirmação de que está tudo em ordem ou não.

PENDÊNCIAS - A consulta periódica ao e-Cac é importante porque, detectado que houve alguma incorreção ou falta de algum dado – por exemplo, se a pessoa trabalha com carteira registrada e também faz serviços como autônoma e não forneceu essa última informação, ou se faltou colocar a fonte de renda de um dependente –, é possível fazer declaração retificadora.

Isso é bem melhor do que ficar esperando a Receita notificar o contribuinte para esclarecer eventual divergência. Wellinton cita que teve um cliente que optou não fazer nada e, após dois anos, o Fisco cobrou dele R$ 19 mil, entre o imposto devido e multa. “Ele teve de vender o carro para pagar”, disse.

DIPJ - Agora começou a corrida das empresas (as tributadas pelo lucro real, presumido ou arbitrado) para entregar a DIPJ (Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica), que é o IR do setor empresarial. O prazo de envio do documento referente ao ano calendário de 2013 se encerra no dia 30.

O especialista Hugo Amano, sócio da consultoria tributária da BDO, cita que além da preocupação normal que já deveria haver com o preenchimento, neste ano o cuidado deve ser redobrado. “Recomendo que se contrate alguém para revisar a DIPJ, porque este ano será o último no formato atual, no ano que vem vai mudar”, alerta. E além desse documento, as companhias terão de entregar, no mesmo prazo, o Sped Contábil, declaração que contém 100% das informações e registros de contabilidade da empresa durante todo o ano, incluindo balancetes mensais e demontrações contábeis.

Amano assinala que é importante fazer o envio o quanto antes, já que a DIPJ costuma ter em torno de 70 páginas para preencher, abrangendo informações de diversas áreas da empresa. Também vale lembrar que os dados serão eletronicamente cruzados com os de outras obrigações acessórias, como a DCTF (Declaração de Débitos e Créditos de Tributos) e DIRF (Declaração sobre o Imposto de Renda Retido na Fonte).

Quem não entregar a declaração no prazo estará sujeito a multa mínima de R$ 500 a até 20% do imposto devido. 

Texto confeccionado por: Leone Farias

Fonte: Site Contábil

eSocial que bate em Chico também bate em Francisco

Durante a 14ª Reunião do Conselho de Relações do Trabalho, realizada no dia 27 de agosto de 2013, o representante do Ministério do Trabalho explicou o eSocial para 24 entidades que representavam interesses de empregadores e empregados: CUT, UGT, CGTB, CNA, CNI, CNS, CNT e CNCOOP, entre outras. Nessa exposição, o eSocial foi definido como projeto estratégico do escritório de projetos da Câmara de Desenvolvimento de Gestão e Produtividade do Ministério do Planejamento.

Supreendentemente, partiu da União Geral dos Trabalhadores (UGT), uma entidade sindical que representa os interesses dos empregados, o questionamento sobre o enquadramento do segmento das micro e pequenas empresas.

Uma segunda ressalva relevante foi feita pela Confederação Nacional dos Serviços (CNS), entendendo que o certo seria tornar o sistema menos informativo e, consequentemente, bem mais simples. Como resposta, o Ministério do Trabalho afirmou que “os direitos dos trabalhadores são os mesmos, seja a empresa grande ou pequena”.

Recentemente, a Receita Federal anunciou, após pressão de inúmeras entidades, a criação de um módulo simplificado do eSocial especialmente desenvolvido para as micro e pequenas empresas (MPEs). Seria essa a real solução?

Entre tantas polêmicas, há consenso em pelo menos dois pontos. O primeiro é o grande impacto cultural nos empregadores. Afinal, no Brasil, mesmo a administração pública deixa de observar as minúcias da nossa legislação. Não é sem razão que os três empregadores com mais processos trabalhistas no país são Caixa Econômica Federal, Petrobras e Correios.

O outro ponto é a mudança nos processos. Pequenas empresas, além da conformidade legal, precisarão de mais eficiência na troca de informações com as organizações contábeis que processam sua folha de pagamentos. A mudança ocorrerá nos procedimentos e informatização dessa comunicação.

Então, como esse módulo simplificado do eSocial poderá ajudar as MPEs? Elas próprias processarão suas informações trabalhistas? Digitarão as faltas, horas extras, férias, contratos de trabalho, exames médicos? Se for assim, cada pequena empresa deverá ter um especialista na legislação, sob pena de cair em uma das infinitas armadilhas regulatórias que nos cercam.

A menos que o bendito módulo tenha uma inteligência superlativa capaz de consistir as milhões de regras embutidas nas leis, normas, convenções e acordos coletivos. Somente assim, o sistema impediria um empregador de digitar informações contrárias às leis. A outra saída seria ter o processamento trabalhista realizado nos escritórios contábeis e alguém digitar tudo no eSocial. Mas quem teria esse (re) trabalho? Mais ainda: quem pagaria por ele? O certo é que as 60 empresas-piloto que representam o Brasil não terão esse problema.
Afinal, elas implantarão poderosas soluções de mercado, cheias de validações inteligentes configuradas por dezenas de consultores especializados – e ainda assim serão monitoradas digitalmente pelo inflexível paternalismo Varguista. Mesmo com esse módulo implantado, não podemos nos esquecer de que “pau que bate em Chico também bate em Francisco”. A legislação trabalhista vale para as grandes e pequenas empresas, como ressaltou o Ministério do Trabalho. A diferença é que Francisco usará um software corporativo, sofisticado e caro; enquanto Chico, o simples e gratuito do governo.

Os que comemoram tanto uma digitação simplificada deveriam reivindicar o mesmo para a legislação. E se o eSocial é tão estratégico assim para o governo federal melhorar a competitividade do Brasil, por que não convocar mais representantes da sociedade para contribuir com ele? De fato, digitar é o menor dos problemas.

Texto confeccionado por: Roberto Duarte